Seleção dá bônus para quem exerceu ‘cargo de gerência’ nos
últimos 10 anos
O
governo federal abriu na 6ª feira (7.jun.2013) seleção para preencher 150 vagas
de gestor público com regras que beneficiam servidores não concursados do alto
escalão da burocracia. O salário inicial é de R$ 13 mil.
O
Ministério do Planejamento, responsável pela prova, dará um bônus de até 150
pontos, de um total de 660, para candidatos que exerceram “cargo de gerência”
nos últimos 10 anos – o período de governo do PT.
1.436
funcionários de confiança estariam em vantagem. Esse é o número de servidores
não concursados que ocupam hoje os melhores postos da burocracia – os chamados
cargos DAS nível 4 a 6, com salário entre R$ 7 e R$ 11 mil.
O
governo afirma que dará o mesmo bônus para funcionários do setor privado, mas o
edital não traz uma definição clara sobre o que seria cargo de gerência em
empresas. A interpretação ficará a cargo do próprio governo.
O
bônus terá grande impacto na classificação final do concurso. Um candidato que
acerte o mínimo necessário, ou seja, pífios 30% da prova objetiva e 60% da
discursiva, mas tenha 10 anos de experiência e um curso de especialização,
somará 396 pontos. Ele ficaria na frente de um candidato recém-formado, sem
experiência, que acertasse 90% do teste objetivo e 80% do discursivo –
resultado que poderia colocá-lo em primeiro lugar na prova –, com soma de 388
pontos.
Segundo
a assessoria do Ministério do Planejamento, o objetivo é recrutar profissionais
com habilidade comprovada para liderar equipes e coordenar projetos. No último
concurso para o cargo de gestor público, em 2009, 41% dos aprovados nunca havia
trabalhado antes, o que prejudica o exercício da função, diz o governo.
A
associação dos gestores públicos (Anesp) estuda propor medidas judiciais contra
o concurso. Trajano Quinhões, presidente da entidade, afirma que o bônus é
“excessivo” e fere a igualdade de oportunidades entre todos os concorrentes:
“Do jeito que está, corre o risco de entrarem pessoas só com experiência
profissional, mas não necessariamente com boa experiência acadêmica.”
PS.:
Após a publicação da reportagem, o Blog recebeu uma carta do Ministério do
Planejamento. Leia aqui.
(Bruno
Lupion)

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