Através da portaria veiculada no Diário Oficial do Estado, o superintendente da Fundação Carlos Gomes, Paulo José Campos de Melo, decidiu cobrar com mais rigor a frequência dos servidores do órgão, instalando ponto digital para aferir a entrada e a saída dos funcionários. Segundo Melo, as novas regras visam "atualizar os procedimentos administrativos referentes à jornada diária de trabalho e frequência dos servidores da Fundação Carlos Gomes".
As medidas, no entanto, desagradaram os servidores efetivos do órgão, que, desde que foram nomeados, sofrem assédio moral, praticado por chefias contratadas sem concurso público.
Segundo os concursados do órgão, as novas regras não serão aplicadas para os servidores comissionados (DAS), que, tal como Campos de Melo, amigo pessoal do governador Simão Jatene (PSDB) "chegam a hora que bem entendem, sem compromisso nenhum com os horários de trabalho".
Entre os DAS da Fundação estão diretores, coordenadores, assessores, secretários e professores contratados para ministrarem aulas de música, escolhidos à dedo pelo próprio superintendente, todos dispensados de registrar entrada e saída.
Além do cargo de superintendente, com direito a sete assessores, a Fundação Carlos Gomes possui quatro diretorias, que têm sob seus comandos, pelo menos, vinte outros assessores legalmente contratados, mas sem concurso público.
Em 2013, a Associação dos Concursados do Pará ameaçou ajuizar ação contra o superintendente da Fundação Carlos Gomes, pela demora em nomear os 61 aprovados no Concurso Público C-166, homologado em 20 de setembro de 2012. A ação só não foi ajuizada porque o governo se antecipou e nomeou os aprovados.
Na ocasião, o presidente da Asconpa, José Emílio Almeida, protocolou, na Promotoria de Justiça de Direitos Constitucionais e Patrimônio Público do Ministério Público do Estado - MPE-PA, denúncia da prática de Nepotismo com contratações de parentes para cargos comissionados e temporários na Fundação. A denúncia havia sido feita à Asconpa por um grupo de concursados recém-nomeados no órgão, que também denunciavam estar sofrendo assédio moral, praticado familiares de dirigentes ocupavam cargos de chefia no órgão.
Para Emílio, a instalação o ponto digital na FCG, tem por objetivo explorar e humilhar ainda mais quem escolheram a instituição para servir à população como trabalhadores legalmente contratados através de concurso público.









